Eu estive fora por um bom tempo. Eu saí de casa para procurar a felicidade, levando uma pequena mala e todas as minhas humildes economias. Eu me despedi da minha família cheio de aparente segurança, mas com o coração sangrando por dentro. Eu precisava me encontrar, constituir a minha própria família. Eu precisava fazer o meu próprio ninho. E nesse ninho sempre haveria um lugarzinho a ser preenchido, ao meu lado. Passaram-se noites, semanas, anos. E tudo o que este homem aprendeu é que precisava engatinhar. A vida é difícil lá fora... Em minha mala, roupas que saíram de moda. As minhas já humildes economias se foram na tentativa de oferecer aconchego. Talvez eu tenha tentado dar mais a esse lugarzinho do ninho, ao meu lado, do que a mim mesmo - mas justamente por pensar que estaria dando, no fundo, a mim. Eu não pude ser jovem. Eu não pude sair, divertir-me. Eu também não quis fazê-lo. Eu só quis ser um marido e um pai que do trabalho ia para casa, estar com essa família que ele nunca construiu. Eu só tinha um saquinho de pão fresco, um sorriso, um beijo, e uma noite de aconchego a presentear para quem amo. No fim, a única certeza que eu tenho é a de que eu ainda engatinho, pois nunca tive alguém para me ajudar a levantar e me conduzir até eu andar com as próprias pernas. Dizem que o ser humano é o animal mais dependente da natureza enquanto é novinho. A ele não só basta amamentação. A ele não só cabe instinto. Precisam ensiná-lo a andar, a falar, precisam levá-lo à escola, ao médico quando fica doente. Precisam orientá-lo em uma infinidade de coisas. Ninguém vive só! E eu sou um homem, sou uma certidão de nascimento, uma carteira de identidade, um cidadão cheio de deveres. E eu sou uma criança que só amargou o tropeço.
Eu estive fora por um tempo, mas agora eu vou voltar para casa. É quase a parábola do filho pródigo. Eu vou voltar sem um centavo no bolso, por ter investido tudo numa felicidade que nunca veio. Esse bolso é o meu coração, e essas economias eram a minha riqueza interior. Eu preciso ser um pouco cuidado agora. Como uma criança novinha. Ou como um idoso...
Eu estive fora por um tempo, mas agora eu vou voltar para casa. É quase a parábola do filho pródigo. Eu vou voltar sem um centavo no bolso, por ter investido tudo numa felicidade que nunca veio. Esse bolso é o meu coração, e essas economias eram a minha riqueza interior. Eu preciso ser um pouco cuidado agora. Como uma criança novinha. Ou como um idoso...
D'Volantim
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